Manifestação histórica: 5.000 pessoas nas ruas pela segurança jurídica e pelo emprego em João Pessoa
Setor produtivo e trabalhadores unidos em defesa da legalidade, da segurança jurídica e da preservação de milhares de empregos na capital.
Hoje, 14 de janeiro de 2026, João Pessoa presenciou um momento histórico. Não foi um protesto político, nem uma reivindicação de classe isolada. Foi o grito uníssono de uma força produtiva que carrega o desenvolvimento da cidade: a construção civil.
Organizada pelo Sinduscon-JP, a manifestação reuniu mais de 5.000 pessoas. Eram pedreiros, serventes, mestres de obras, engenheiros, arquitetos, corretores de imóveis e empresários, caminhando lado a lado com um único propósito: defender o direito de trabalhar com regras claras e segurança jurídica.
Em um cenário onde a desinformação ameaça paralisar um dos setores mais vitais da nossa economia, a união vista hoje nas ruas manda um recado claro: a construção civil é parte da solução para o futuro de João Pessoa, não o problema.
Contra a Fake News dos "Espigões": A Defesa da João Pessoa Horizontal
É urgente desconstruir a maior falácia que tem sido espalhada nas redes sociais e em grupos de conversa: a ideia de que as construtoras querem "destruir a orla" ou transformar João Pessoa em uma nova Balneário Camboriú. Isso não condiz com a realidade do mercado local.
O Sinduscon e as empresas associadas são os primeiros a defender o Plano Diretor e a legislação do gabarito na orla. Por um motivo simples e comercial: **a horizontalidade é o maior ativo imobiliário de João Pessoa**. É o que atrai investidores de todo o Brasil e do mundo. Destruir isso seria destruir o próprio diferencial competitivo da cidade.
O que está em discussão na LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo) não é a liberação de arranha-céus na praia, mas sim a **padronização técnica de medições**. A legislação atual possui brechas interpretativas que mudam "da noite para o dia", transformando obras aprovadas e legais em alvos de ações judiciais. O setor pede clareza: onde começa e onde termina a medição? A partir da calçada? Do meio-fio? Do terreno natural? A falta dessa definição técnica precisa cria o caos.
Responsabilidade Individual
A legislação atual já possui todos os instrumentos necessários para fiscalizar e corrigir eventuais falhas pontuais de qualquer projeto, de forma individualizada. Não há necessidade de criar uma insegurança generalizada que pune quem trabalha corretamente e segue todas as normas. O setor produtivo não compactua com irregularidades, mas exige que o rigor técnico não se transforme em injustiça coletiva.
A técnica por trás da altura: não é sobre “mais andares”
Quando se fala em gabarito (altura máxima), o debate costuma ser reduzido a uma ideia simplista: “estão querendo subir prédios”. Na prática, a discussão é muito mais técnica — e é justamente aí que nasce a insegurança jurídica atual.
Em uma cidade como João Pessoa, com topografia irregular e muitos terrenos em declive, a altura de um prédio depende diretamente de onde começa a medição. E essa definição não é detalhe: ela muda metros inteiros no resultado final.
A Verdade Técnica: Estado vs Município
A insegurança jurídica atual nasce de um conflito simples, mas devastador: qual régua usar para medir a faixa de proteção da orla? Ao anular a LUOS, volta-se para a regra geral da Constituição Estadual, que paradoxalmente pode ser **menos protetiva** em alguns casos.
Entenda a diferença técnica que os tribunais ignoraram:
- 1. A Regra do Estado (Previsão Constitucional): Define a proteção de 500 metros contados a partir da linha de preamar (maré alta). É uma medida linear, mas que ignora a urbanização já consolidada.
- 2. A Regra da LUOS (Lei Municipal Anulada): Estabelecia a medição a partir da testada da quadra. Na prática, no Busto de Tamandaré, por exemplo, isso empurrava o limite de construção para 615 metros da praia. Ou seja, a lei anulada protegia 115 metros a mais que a regra estadual.
- 3. O Efeito Prático: Ao derrubar a LUOS por uma suposta "permissividade", a decisão judicial criou um vácuo que coloca em risco justamente o que se pretendia proteger. Sem a definição clara da "regra da quadra", volta-se à incerteza da medição da maré, que varia diariamente e gera insegurança para qualquer obra.
O que o setor defende é a segurança desta definição. Não se pode construir uma cidade onde a legalidade de um prédio muda conforme a maré sobe ou desce, ou conforme a interpretação de qual lei vale no dia.
O que o setor defende não é flexibilização indiscriminada, mas padronização e previsibilidade. Se a regra define que a medição começa na calçada média, ela não pode ser reinterpretada depois para o ponto mais baixo do terreno, transformando em irregular aquilo que foi aprovado e construído legalmente.
👉 O problema central não é altura. É segurança jurídica.
Sem critérios claros e estáveis, qualquer obra vira risco — e risco, no mercado imobiliário,
sempre vira custo para toda a cidade.
O Risco do "Apagão" de Investimentos
A insegurança jurídica tem um preço, e ele é alto. Quem paga essa conta, no final, é a cidade inteira. O mercado imobiliário funciona à base de confiança e crédito. Quando juízes começam a embargar obras que tinham alvarás válidos, acende-se um alerta vermelho nos bancos e fundos de investimento.
Se João Pessoa ganha a fama de cidade onde "o que é legal hoje pode ser ilegal amanhã", o dinheiro foge.
Consequências Reais
- Crédito Mais Caro: Bancos aumentam os juros para compensar o risco de emprestar para obras na cidade.
- Fuga de Capital: Construtoras cancelam lançamentos e buscam cidades vizinhas com regras mais estáveis.
- Encarecimento do Imóvel: Com menos oferta e custos maiores, quem quer comprar apartamento paga mais caro.
5.000 vozes e o Efeito Cascata na Economia
Quem olhou para a multidão hoje viu a face real de quem sustenta a Paraíba. E o impacto de uma paralisação vai muito além do portão da obra. A construção civil é a locomotiva que puxa dezenas de outros setores.
Quando uma obra para, o efeito dominó é imediato e cruel:
- A Economia Informal: A "tia do lanche" e os vendedores de marmita perdem sua clientela diária.
- Transporte e Logística: Caminhoneiros e freteiros ficam parados sem material para transportar.
- Comércio e Serviços: A vidraçaria, o depósito de gesso, a loja de tintas e a fábrica de móveis planejados veem seus pedidos sumirem.
- Setor Imobiliário: Corretores de imóveis ficam sem produto para vender, afetando a renda de milhares de profissionais autônomos.
A manifestação de hoje foi um ato de responsabilidade social. O setor mostrou que está unido e disposto a dialogar. Não se trata de pedir privilégios, mas de exigir o básico para qualquer nação desenvolvida: previsibilidade.
Conclusão: O caminho é o diálogo e a técnica
João Pessoa precisa crescer. E esse crescimento pode — e deve — ser ordenado e sustentável. Mas não se constrói futuro com insegurança jurídica, pânico e desinformação.
O apelo feito hoje nas ruas é simples e justo: respeito à técnica da engenharia, respeito aos contratos firmados e, acima de tudo, respeito às milhares de famílias que ajudam a construir, tijolo a tijolo, a nossa capital. Que a lei seja cumprida, mas que ela seja clara, justa e não usada como arma contra quem gera emprego e renda.
"O que a categoria luta é pela segurança jurídica e pelas regras claras. Considere que a construção é um processo ainda artesanal e que erros de centímetros, como estão sendo questionados, são parte do processo."
— Mensagem ecoada pelos líderes do setor na manifestação de hoje.
O Obra Track continuará acompanhando os desdobramentos dessa pauta, trazendo sempre a visão técnica e o impacto real para quem vive e respira a construção civil. Acreditamos no potencial de João Pessoa e na força de quem constrói o nosso estado.
Redação Obra Track
Cobertura em tempo real dos fatos que movem o setor da construção na Paraíba.
Junte-se a nós
Faça parte da nossa comunidade no WhatsApp e receba informações verificadas, longe das fake news, sobre o mercado da construção civil.
Entrar na Comunidade